terça-feira, 23 de agosto de 2011

ellipsis

do velho bosque lhe vinha uma velha melancolia que acalmava um pouco, que valia mais que a dura insensibilidade do mundo, era-lhe agradavel tudo que vinha do interior dessa remanescente floresta, na indizivel reticencia das velhas arvores. um poder de silencio por ali. entretanto, uma presença vital. tambem as arvores esperavam; esperavam obstinadamente, exalando de si um poder de silencio. talvez só esperassem o fim - serem abatidas e levadas : o fim da floresta - o fim de todas as coisas! mas talvez seu forte e aristocratico silencio significasse algo mais..

domingo, 7 de agosto de 2011

Amoureuse

Je ne veux pas qu'arrive le soleil.
Et je me demande, si cet amour aura un lendemain, quand je suis loin de lui.

Je ne suis plus d'ici.
Je ressens la pluie d'une autre planete.
Quand je sens que j'entre dans sa vie..
Je prie pour que le destin m'en sorte, je prie pour que le diable m'emporte.
Quand je suis loin de lui..
 
 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Prece

nessa mesma noite gaguejara uma prece para Deus e para si mesma :


''alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade ja vivemos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão incompreensivel quanto eu, faze com que eu receba o mundo sem medo, abençoa-me para que eu viva com alegria o pçao que como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciencia comigo mesma, amém. ''

segunda-feira, 21 de março de 2011

Fica

- podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura.. com tantos sentimentos tinha de ser justo amor, meu Deus? - essa foi a minha prece. mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar. - não me abandone - pedi para dentro, para o fundo, para longe, para cima, para fora, para todas as direções. minha miséria não podia aumentar, não podia. ia ser fatal. não adianta, não sei explicar. as palavras traem o que a gente sente. só sei que foi bom demais te conhecer. me deu uma fé, uma energia.. sei lá.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Felicidade

ia criando as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. a felicidade sempre iria ser clandestina pra mim.. parece que eu pressentia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

É.

e há pessoas acham que eu tenho de suprir o que falta nelas. cada ausencia, cada frustração, cada medo, cada insegurança. acham que eu devo carrega-las nos ombros e ninar todos seus sonhos. é muito dificil quando me tiram o direito de errar, pois é uma coisa que carrego com tanto carinho e aprendi a ver com outros olhos. me tiram tambem o direito de escolha, logo o direito que eu tenho de optar por mim. e justamente por isso me julgam ilegal, justamente por isso eu sempre me escolho. porque ninguem compreende que ilusão é individualismo, vaidade e solidão, assim como eu.

sábado, 20 de novembro de 2010

cores e anjos e desertos

quando eu era pequena, conversava com meu anjo. apesar de abstrato, ele era muito verdadeiro comigo. um dia ele foi embora para proteger quem mais precisasse. eu tive de crescer. e veio o tédio, que fazia parte de uma vida de sentimentos honestos. e eu, crescendo, sem caber em mim. sem saber o que fazer com a sabedoria que me vinha. experiencias que antes eu confidenciava a um antigo amigo noturno. lembrei-me que ele disse na noite em que foi embora, que minha honestidade em relação a minha vida era meu pecado maior, e por isso viria um sucessor. um anjo impessoal e anonimo.

confesso agora, que primeiramente não tinha acreditado naquelas palavras.
foi então que numa noite dessas, fiz uma prece diferente... não pedi nada. foi uma prece profunda, eu ja não pedia mais. acordei no dia seguinte e vi que havia rastros de anjo pelos meus olhos, anjos deixam cores por toda a parte quando passam e é facil reconhecer um deles. sabia que meu anjo novo estava para chegar, e fui tomada pelo medo de não saber lidar com ele. mas mesmo assim, durante esse tempo eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave. mas cadê meu anjo? foi quando o reconheci escondido no tom de bronze velho... ele me esperava.
 

ele ja sabia qual era sua missão, mesmo sendo um anjo jovem. e eu estremecia, não tinha mais aquela habilidade de quando era criança. eu cresci, tive de faze-lo. mal pude acreditar que voltaria a ter alguem que aceitasse meus sonhos demorados e minhas insônias insuportaveis. mas eu ja sabia lidar com tudo isso sozinha. mesmo assim parecia milagroso, naõ acreditava que tanto me foi dado, logo eu que aprendera com a vida a pedir pouco.
com uma coragem de de principiante, que de fato eu era de novo, fui até ele. o coração imprudente pôs-se a bater alto demais, quase acordando o mundo que dormia. foram 5 ou 6 passos e um seculo de coração batendo. enfim cheguei, e fui recebida com um abraço que nele caberia a alma de todas as pessoas. o rito estava completo. mas aquela doçura me fatigava de certa maneira. reparei que ele não tinha asas, não disse nada a ele sobre isso, talvez a falta de asas magoe um anjo.

nos observamos e começamos a caminhar, aos poucos compactuamos. havia levissima embriaguez por estarmos juntos. ambos distraidos, rindo de tudo e à toa. senti uma leve pontada, era a minha vida me chamando, era o mundo em mim pedindo minha volta. dessa vez era eu que tinha de ir embora. era tudo tão estranho, pensei em pedir pra ele não me abandonar, mas lembrei de todas as vezes que tive a delicadeza de pedir e não me deram.

ele leu em meus olhos e em minha voz o constrangimento da partida. mas é da minha natureza abandonar e ser abandonada. foi uma das dores mais profundas que ja senti na vida, esse desapego. era necessário.

houve então entre nós o silencio de altar, silencio de portais. mas eu sabia, que na pior escuridão e no dia mais azul ele estaria comigo. eu tambem estaria com ele desde aquele dia até o juizo final. infelizmente sou uma terra de desertos. mas lembre-se , as dunas mudam com o tempo.. mas o deserto permanece o mesmo.