quinta-feira, 30 de setembro de 2010

noite de agosto

Juro, acredita em mim - a sala de visitas estava escura - mas a música me chamou para o centro. escureceu-se - eu estava nas trevas - senti que por mais que fosse escura, a sala estava clara. Agasalhei-me no medo - como ja me agasalhei de você em voce mesmo - eu tremia no centro dessa difícil luz. acredite em mim, embora eu naõ possa explicar - houve alguma coisa delicada e graciosa - como se eu nunca tivesse visto uma flor - ou como se eu fosse a flor - havia também uma abelha gelada de pavor. Diante dessa luz das trevas que era apenas uma flor - a flor estava gelada de pavor diante da abelha qe era muito doce - acredite em mim que também não creio. Que também não sei o que uma abelha viva de pavor quer na escura vida de uma flor - mas crê em mim - a sala cheia de um sorriso penetrante. Um rito fatal que se cumpria. - o que se chama de pavor não é pavor - é brancura subindo das trevas. Não ficou nenhuma prova - nada te posso garantir - eu sou a unica prova.

unico motivo de ainda ser.

eu aqui; numa tentativa meio infame de me tornar mais madura e doce após ter provado da perfeiçaõ. E me vi irrevogavelmente adimirada, como uma criatura qe se liberta da cegueira e ve a luz pela primeira vez. Entaõ uma olhada vacilante pra tras, bem no fundo da minha agitaçaõ e errancia, eu sei que meu caminho é um deserto. depois de toda essa exploraçaõ eu sei que estou condenada a desconfiar mais profundamente, a desprezar mais profundamente, e a estar mais profundamente sozinha. vejo na serenidade das minhas decepções que eis qe vem minha recompensa : tenho meu otimismo para fins de reestabelecimento, me fazendo um favor interno. Desacorrentando meus anseios e me fazendo correr para o mais longe possivel. me sinto grata pelas minhas ausencias, pelo meu olhar distante, pela minha inoperancia .. e poder somente agora provar da mais refinada tolice, sentir felicidade ainda qe seja no cansaço, apreciar minhas manhãs de sol onde eu sinto a paciencia comigo. e por fim encontrar na minha realidade criada o eqilibrio da minha alma. E que eu continue assim, mesmo sabendo que naõ tenho nada, que eu possa continuar me sentindo plena de tudo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

lamento informar

sinto muito em lhes dizer :

todas as ações são autodirigidas, todo serviço é autoserviço, todo amor é amor próprio - cave mais profundamente e verá que você naõ ama a eles, ama as sensações agradáveis que tal amor produz em você. Ou seja, você ama o desejo e não o desejado.

reflita.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

desde o sec. XVIII

sinto impulsos subtos e uma vontade louca de ir em frente. pra onde for, a qualqer preço. uma curiosidade perigosa. um desejo tumultuoso, arbitrário, vulcânico, estrangeiro, incoerente ... tornou-se ciclo, vai além do que sei. e o que acontece? naõ sei.

prefácio.

o unico dom qe me salva é a distração.