sábado, 16 de outubro de 2010

aqui jaz

eu fazia parte da grande espera, que por si mesma e em si mesma, é o que o universo todo faz. mas dentro da grande espera total, eu pedia trégua. aquela noite de inverno em agosto era do mais fino tecido, para sempre inquebrável. eu queria que a noite começasse enfim a tremer em leve espasmo, principiando a sua agonia, para que tambem eu pudesse dormir. mas eu sabia que a noite de estio não amanhece, ela apenas sudoriza na febre da madrugada. e sempre sou eu quem tem ido dormir, sempre sou eu qe entro em agonia, enquanto a noite permanece como um olho sem palpebras. guardando a mil panos o meu grão de insonia, que é o diamante que me coube. eu sei que não existe agonia. o mundo é eterno. e eu sabia que era eu que tinha de morrer.

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